No Brasil

 Entrevistas e  matérias com personajes  e pesquisadores sobre america-latina 

 

No Chile

Uma série de  Matérias - Curtas e ou crônicas e  entrevistas com personagens 

 

Contextualização

O Chile foi o primeiro pais em entrar na senda do neoliberalismo a partir de 1975 e a conseguir uma estabilidade econômica nos anos da superinflação. Após 44 anos o Chile confronta novamente a sua própria história.

 

Em Outubro de 2019, o Chile era um país que estava contido, quase como uma barragem à beira do colapso, mas era incapaz de ultrapassar os limites da sua paciência, uma vez que o país se encontrava numa situação muito contraditória.

A grande contradição

Por um lado, os números macroeconómicos indicavam que o país estava no caminho do desenvolvimento e as elites vinham dirigindo a nação sem contrapeso, alternando o governo desde o regresso da democracia acordado com a ditadura civil-militar do General Augusto Pinochet.

 

Por outro, as desigualdades sociais e econômicas em todas as áreas, o abuso do poder económico devido à economia desregulamentada a partir do ano 1975 e a acumulação de riqueza por grupos económicos eram cada vez mais evidentes.

 

 Um protesto de estudantes do ensino secundário após o aumento de 30 pesos no preço do Metrô foi o gatilho que culminou em protestos em massa, nas ruas de todo o país, pacíficos e, por vezes, violentos.

 

Este evento foi o início de um processo que iria mudar o curso da história do Chile. Hoje, no Chile, questiona todo um sistema do ponto de vista histórico, político, económico e social.

 

Após os protestos, foi aprovado um plebiscito e foi eleita uma Constituinte já surpreendente e esperançosa, que inclui 17 representantes de povos nativos e 50% de mulheres que terá o desafio de redigir a nova carta magna que irá governar o país nas próximas décadas, uma constituição pós-neoliberal e pós-pandêmica que poderia influenciar fortemente as forças progressistas latino-americanas.

 

O processo de Chile hoje enfrenta dois momentos importantes na sua história, terá eleições de presidente em Novembro de 2021 na que um Ex-líder dos estudantes progressista dos protestos da década de 2000 encabeça as pesquisas e uma nova Constituição que está sendo escrita seria aprovada em um novo plebiscito em 2022.

Horizontal – Série

Uma Nova Ordem Democrática, Justa, Solidária e Horizontal para a América Latina

 

PORQUE O PROCESSO POLÍTICO SOCIAL
DO CHILEPODE SER IMPORTANTE PARA
A AMÉRICA LATINA?

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Dessa revolta nasceram os conselhos comunitários chamados “Cabildos” comunitários que reorganizaram os territórios populares, pressionaram e aprovaram um plebiscito para uma nova constituição democrática e inclusiva.

Em julho de 2021, iniciaram-se os trabalhos de uma nova assembleia constituinte eleita democraticamente com participação de todos os sectores da sociedade, que inclui 17 representantes dos povos indígenas e 50% composta por mulheres. Nas últimas eleições para governadores e presidentes de câmara, os grupos políticos tradicionais, em conjunto, tiveram um magro 26% e foram substituídos por representantes progressistas e independentes.

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 Direcão  - Daniel A Rubio

Gastón Soublette: Manifiesto , Peligro e Oportunidade - sobre o fim de um sistema desumano (Vídeo Universitas)

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 A América Latina e o mundo estão envolvidos em uma crise permanente de acumulação de capital, aumento da pobreza, perigo da perda de direitos sociais, super-consumo e enriquecimento de poucos, impactando negativamente no abismo das desigualdades sociais

 Quais são as propostas para uma democracia horizontal  e qual será o impacto do processo do Chile para América Latina, em tempos de post- Neoliberalismo e post-Pandemia?

Quais são as propostas para uma democracia horizontal  e qual será o impacto do processo do Chile para América Latina, em tempos de post- Neoliberalismo e post-Pandemia?

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O ESTADO DAS COISAS

 

Um povo sufocado pelo abuso econômico do livre mercado e a perda das conquistas trabalhistas.
 

Outubro 2019 - Antes da explosão social –

 

Privatizações sem limites

A privatização da água aumentou o custo deste elemento vital e deixa muitas comunidades numa carência implacável e desumana. Comunidades pobres vivem sem uma gota d’água, enquanto as elites lucram com a cobrança desse bem natural.

 

Para além da água, outros serviços essenciais para a população, tais como eletricidade, gás e telefonia, são também privatizados, resultando no elevado custo destes serviços essenciais para a população e o Estado não tem poder para os controlar.

 

Baixos salários e pensões miseráveis

Os baixos salários da maioria da população, condenados também a um sistema de pensões de reforma que proporciona pensões miseráveis baseadas na capitalização individual, o que só favorece as empresas que administram o sistema com enormes lucros e também o grande capital, que é beneficiado pelas contribuições da AFP, acrescentando a este abuso do sistema, que o Estado continua a financiar as pensões das forças armadas, dos carabineiros ( Policia) e das investigações, gerando a justa crítica à população civil.

 

Pobreza e exclusão urbana

Segregação urbana, refletindo fortemente a desigualdade social que brota em toda a parte, verdadeiros guetos sem infraestrutura adequada e serviços essenciais

Colusão por parte de oligopólios

Acordos entre empresas sobre os preços de produtos essenciais para a população, tais como alimentos, produtos de higiene e medicamentos agudizam ainda mais a situação dos mais pobres. Tal manobra dos oligopólios que controlam o país foi descoberta e se tornou alvo de sanções irrisórias por parte das instituições correspondentes. 

 

Educação e Lucro

A comercialização do ensino superior gerou uma indústria da educação, que também resulta na graduação de muitos profissionais com poucas chances de empregabilidade devido a uma oferta excessiva de graduados e endividamento no sistema bancário.

 

Desigualdade entre a educação pública e privada, mais uma vez refletindo as profundas desigualdades na sociedade chilena, onde a qualidade da educação depende do nível de rendimento dos pais.

 

Subfinanciamento da saúde pública

O sistema de saúde pública com muitas deficiências é onde a maioria dos chilenos são tratados devido à falta de financiamento adequado, esta situação termina forçando um setor significativo da população a pagar por cuidados de saúde privados adequados. Isto faz com que as pessoas percebam que este sistema não é justo nem democrático, pois a saúde é um direito humano essencial a que toda a população deve ter acesso.

Comportamento anti-sindical

Os comportamentos antissindicalistas dos empregadores que perseguem e assediam os trabalhadores que querem organizar, dando prioridade à subcontratação e à internalização. Isto torna ostensivamente a mão-de-obra mais precária.

 

Corrupção da justiça e das instituições estatais

A corrupção cada vez mais evidente na administração do Estado contribui para a instabilidade dos mecanismos de controle e da administração da justiça, gerando também desconfiança nas instituições.

 

 

Preços elevados dos transportes públicos

O custo dos transportes públicos no Chile é um dos mais caros da América Latina, fato este que culminou na explosão social originada no aumento do preço do Metrô de Santiago, em 30 pesos. O valor simbolicamente foi relacionado aos 30 anos de neoliberalismo e fez os anseios por uma Democracia plena acordarem. O lema do movimento que se espalhou pelo Chile e pelo mundo foi: "Não são 30 pesos, são 30 anos".

 

 

 

O que se espera da nova constituição

 

Na esfera econômica, espera-se que haja um movimento para um sistema misto com um estado de solidariedade que garanta todos os direitos sociais.

 

Espera-se que a nova constituição desenvolva um sistema político que aprofunde a democracia, que permita uma maior participação da população, estabelecendo mecanismos como a proposta de leis a partir das bases, o plebiscito, o referendo revogatório e maiorias simples para a aprovação de leis.

 

 Também na esfera política, espera-se que seja estabelecido um sistema semi-presidencial para assegurar um equilíbrio entre os poderes do Estado. Além disso, está previsto um parlamento unicameral, que seria a assembleia legislativa do país.

 

 Na esfera territorial, espera-se a descentralização do país, com maior autonomia para as regiões e a declaração de um estado plurinacional, reconhecendo a existência de diferentes nações e culturas no país.

 

No domínio das garantias constitucionais, espera-se que haja um respeito total pelos direitos humanos, sendo dada prioridade aos que foram mais violados durante a ditadura militar e na democracia acordada, tais como o direito à água, à saúde, à educação, a um ambiente sem poluição, a uma habitação digna, à justiça, à sindicalização, a um sistema de pensões justo, a viver em cidades integradas, e ao direito a um nível de vida digno.

 

Se um candidato progressista ganhar nas próximas eleições em Novembro de 2021, as expectativas são muito semelhantes ao que se espera da nova constituição, que irá desenvolver um governo que supere a enorme desigualdade social e económica do país e que seja o mais inclusivo possível, pois a história ensinou-nos que só com grandes maiorias poderemos avançar para uma sociedade mais livre, mais justa e mais democrática.

 

 

O que está a acontecer no Chile parece ser um novo momento político que pode se espalhar por toda a América Latina, um momento pós-neoliberal e pós-pandémico onde ideias progressistas estão a ser renovadas, destacando as prioridades da justiça social, as responsabilidades do Estado e a necessidade de um novo equilíbrio digno para todos os cidadãos.

Num mundo polarizado, uma alternativa horizontal e pluralista

 

A América Latina vive um momento importante, uma nova ordem social está à vista no Chile, o governo e a classe política ligada ao capital no Chile estão a tentar manter o modelo imposto nos anos 70, mas desta vez a pressão do povo comum impede de serem dominados, eles têm agora uma voz. Já não são os que estão no topo que decidem o que fazer com os que estão na base. Agora são confrontados horizontalmente, isto é um consenso sobre a elaboração de uma nova constituição. E este pode ser um primeiro passo para um modelo socioeconômico latino-americano.

 

Proposta do projeto 

 A ideia deste projeto é tentar preencher um vazio de conteúdo proposicional e progressista, a fim de influenciar e motivar um amplo diálogo baseado em valores de solidariedade e justiça, um diálogo horizontal em que a verticalidade desaparece através de uma verdadeira representação democrática, onde os congressos tenham representantes de todos os setores sociais e cujo objetivo seja o bem comum, a justiça e a solidariedade.

 

Quais são as propostas para uma democracia horizontal verdadeiramente justa, baseada na solidariedade e inclusiva para a América Latina, em tempos de pós-Neoliberalismo e pós-Pandemia?

Quais são as propostas para uma democracia horizontal  e qual será o impacto do processo do Chile para América Latina, em tempos de post- Neoliberalismo e post-Pandemia?

 

 Conseguira o Chile mudar a sua historia enfrentando as elites tradicionais e o poder econômico que fragiliza a democracia representativa e empobrece a todo um povo?

  Proposta do projeto 

 A ideia deste projeto é produzir material audiovisual  de conteúdo proposicional e progressista, a fim de influenciar e motivar um amplo diálogo baseado em valores de solidariedade e justiça, um diálogo horizontal em que a verticalidade desaparece através de uma verdadeira representação democrática, onde os congressos tenham representantes de todos os setores sociais e cujo objetivo seja o bem comum, a justiça e a solidariedade.

 

Quais são as propostas para uma democracia horizontal verdadeiramente justa, baseada na solidariedade e inclusiva para a América Latina, em tempos de pós-Neoliberalismo e pós-Pandemia?

Uma Nova Ordem Democrática, Justa, Solidária e Horizontal para a América Latina
Uma maioria exausta, endividada e empobrecida que enfrentava uma extrema exclusão social contra a uma minoria privilegiada foi o que gerou em Outubro de 2019 uma explosão social incontrolável causando mudanças históricas.

 HORIZONTAL / DOC  90 min.

Forum internacional Vigília Democracia. 32 horas de programação ao vivo...