Entre a Luz e a Sombra

 

 

Três destinos que se cruzam no maior presídio de America Latina

Uma câmera que acompanha esta história  por sete anos

Um Brasil que se revela entre o encanto e desencanto humano...

 

Um filme com fome de realidade

   Carlos Alberto Mattos

Estreia no próximo dia 27 um dos melhores filmes brasileiros do ano. Tem amigos que se reencontram na prisão, tem amor entre classes sociais distintas, tem separações, tem rap, sucesso e celebridades. Tem o céu e o inferno correndo nas veias de um incrível documentário.

Entre a Luz e a Sombra é produto da competência e da perseverança de uma jovem realizadora que aprendeu (com Jon Alpert) a filmar a realidade sozinha. Fazendo ela mesma imagem e áudio, a mineira Luciana Burlamaqui começou a gravar, em 2000, os encontros dos rappers presidiários Dexter e Afro X e da atriz Sophia Bisilliat com jovens da Febem em São Paulo. Dexter e Afro X, amigos de infância na periferia de São Bernardo do Campo, formavam então o bem-sucedido grupo 509-E (número da cela que o destino os fez dividir no Carandiru). Dexter tinha um romance com Sophia, que desde os anos 1980 realizava trabalhos de humanização da vida carcerária através da arte.

Luciana, já uma experiente repórter de TV, mas insatisfeita com a prática de documentar situações sem aprofundamento, viu ali os ingredientes de um bom doc de processo, desses que capturam o desenvolvimento de um assunto no tempo. Nesses casos, é impossível definir se é o cineasta que se apega ao tema e aos personagens, ou se são estes que se impõem como algo a acompanhar. Não importa. Luciana seguiu gravando o cotidiano dos três ao longo de sete meses. Depois, fez atualizações pontuais durante sete anos. O que ela nos entrega agora é um espantoso testemunho da crise social brasileira, junto com uma complexa reflexão sobre a consciência da classe média diante do mundo do crime.

Voltarei a falar de Entre a Luz e a Sombra aqui no blog. Por enquanto, deixo apenas um alerta para a chegada desse belo trabalho, que já ganhou prêmios no exterior e está fazendo pré-estreias em comunidades e universidades. Ele engole com sua fome de realidade todas as recentes ficções sobre a violência urbana brasileira. Não tem cenas de ação nem estereótipos de roteiristas espertos, mas um tenso e surpreendente retrato de vidas que se constroem, em tempo real, diante dos nossos olhos. Vocês não perdem por esperar.

 

Entre/Arts: com Silvana e Elizabeth Parente

Encontro com Gero Camilo na Praça Roosevelt

E Miró falou tanto, mas tanto de sua vida e seu processo de criação que Daniel, que estava de antenas ligadas ali perto, sugeriu que fizéssemos, naquela mesma hora, um vídeo. Como eu e ele já pensávamos em levar adiante alguns projetos de vídeos, fomos então ao estúdio-apartamento do Daniel, distante algumas quadras dali. À noite, amigos recepcionaram Miró em uma festa, o que também serviu de matéria-prima para nosso trabalho. E assim nasceu o vídeo agora disponível no site Artver.

“Minha denúncia é a minha alegria”
miro3
“Sou ‘Alegrista’, gosto de pessoas simpáticas, que riem. A maior frase do Alegrismo é da minha mãe. Ela diz sempre: “Meu filho, fuja de gente que não ri. Gente que não ri é perigosa”.

Convido aos amigos para uma sessão com “Miró da Muribeca em São Paulo”, que tem direção e edição do Daniel e produção e entrevista a cargo deste blogueiro.

 

Tobias 700 "

 A História de uma    Ocupação           

Sobre o  documentário Clique aqui

Assista Tobias 700    clique aqui

Quem são os brasileiros que ganham entre 1 e 3 salários mínimos, e que poderiam ser beneficiados pelo  programa de moradia lançado pelo governo Federal com o apoio dos governos Estaduais e Municipais? Veja o lançamento do documentário “Tobias 700 (Edifício Prestes Maia) - A História de uma Ocupação” em um lançamento exclusivo pela Internet no site artver.com

http://.danrubio.blogspot.com

O documentarista, Daniel A. Rubio, seguiu por 15 meses o cotidiano das pessoas que ocuparam o prédio da Rua Brigadeiro Tobias em novembro 2002.  Depois de  6 anos o documentarista reencontra alguns dos ocupantes deste prédio, uns  já estão em outros projetos, na periferia, ou ainda esperando ser recolocados no centro de São Paulo, e outros que ganharam um crédito e subsidio moradia para comprar sua  casa própria.


GERALDO: EM QUEM EU POSSO ACREDITAR?:

Um Documentário Internacional sobre corrupção política  http://madmundo - Geraldo

 

Documentário

"CRIANÇA SEM TERRA":

O Documentarista Daniel A. Rubio retrata o  cotidiano de crianças que moram no Acampamento Madre Cristina do MST, em Iaras - São Paulo

Veja Capitulo 1

  Veja Capitulo 2

  Veja Capítulo 3

 

"Realidade não Virtual"              

Curta metragem para prevenção de Aids produzido por  jovens do movimento Hip Hop      Video

 

Trade Talking                        

Uma série de  matérias produzidas em cinco países com o objetivo de  informar: como as decisões da  Organização Mundial do Comércio  afetam cidadãos comuns em diferentes cantos do planeta.

 

 
 

Blog Ponto de Fuga  de  Clayton Melo                           

    

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                                                    Video

“Minha denúncia é a minha alegria”


Ao lado do documentarista Daniel A. Rubio, este blogueiro fez vídeo sobre o poeta pernambucano Miró

Miró da Muribeca é um peregrino das palavras. Poeta pernambucano, anda de um lado a outro do Brasil colecionando histórias e amigos, risos e lágrimas. Joga conversa fora e bisbilhota outras tantas em esquinas e becos com a mesma facilidade com que declama um poema – eis sua especialidade, a isca com que fisga ouvidos e corações. Sua carpintaria poética se faz das agruras e belezas urbanas, dos semáforos, das conspirações de botequim, da urgência da contemporaneidade.

Em janeiro, eu e o Daniel A. Rubio, documentarista chileno que mora no Brasil, nos juntamos para fazer um vídeo sobre o Miró. A ideia surgiu por acaso. Resolvi transformar meus agradáveis bate-papos com o poeta – de quem me tornei amigo por meio outro amigo do peito, o produtor Edson Lima, de O Autor na Praça (produtor-associado do filme)– em entrevista. Poderia oferecer a pauta como frila para alguma publicação impressa. A força do personagem e a qualidade de sua poesia poderiam render um belo perfil. Por essas contingências cotidianas, não batalhei esse frila imediatamente, sempre deixando para depois.

Então numa tarde de sábado no espaço de O Autor na Praça, na praça Benedito Calixto, em Pinheiros, São Paulo, saquei meu bloquinho e botei Miró para falar.

 

 

 

São Paulo

Reserva Cultural

Itau Cultural

Catraca Livre

Clube Caiubi

UIA

SESC

CCSP

Guia da Folha

TVda Praça

 

 

 

 

 

 

Free Java Chat from Bravenet.com

 

 

 

 

Produção Internacional

ELEMENT/TVE/MTV              Clique aquí

Apresenta jovens que  cuidam do Planeta.

 

 Produções Internacionais

 exibidas na BBC-World 

        "Life" "Earth Report"                clique aqui

 

EU QUERÌA                              Clique aquí Melhor Vídeo No Festival de vídeo de Baruerí 2002

 

           

PERIFERIA EM AÇÃO                               Arte e cultura na perifería de São Paulo

                                                         Video

 

DE VOLTA À VIDA            

Como enfrentam a  vida e as oportunidades  os jovens que saíram da FEBEM              

                                                         Video

 

 

ENTRE/ARTS           

A influência da cultura do nordeste na cidade de São Paulo, com Silvana e Elizabeth Parente.

Encontro com Gero Camilo na Praça Roosevelt

 Video                                        

 

EPA-ESCREVENDO POR AÍ        

O vídeo mostra o Encontro Internacional de Grafitti de Santo André.                                      Video    

 

 

                         

 

 

 

 

 

 

 

 

       Documentários                                                          DESTAQUE                                                                                                                       AGENDA CULTURAL                    

Meu amigo, o que aconteceu no Chile?”

Reprodução web



 

Carta relembra feridas de um tempo sangrento

Daniel A. Rubio é meu amigo de fé, meu irmão camarada. “Cabra bom”, para usar uma frase típica de outro amigo querido, o jornalista Costábile Nicoletta.

 

Daniel é um documentarista chileno dos bons que mora no Brasil há cerca de uma década – e com quem começo a aprender essa arte, que aproxima duas de minhas paixões, o jornalismo e o cinema (já fizemos até um primeiro vídeo em conjunto, por puro prazer e diversão).

Ele escreveu um texto tocante sobre seu país depois do resultado das eleições presidenciais, no domingo passado.

A carta – é a carta aberta a um amigo em comum, o chapa Edson Lima, produtor cultural, responsável projeto O Autor na Praça –nasceu depois que o Edson lhe enviou uma matéria de um portal cuja manchete era: “Direita volta ao poder no Chile”.

E então Edson, no mesmo e-mail, perguntou:“Meu amigo, o que aconteceu no Chile?A carta traz reminiscências de um tempo sangrento. É como um filme que, embora de horror, também seja feito com cenas de amor e solidariedade.

É um pouco longo, mas vale a pena.

CARTA ABERTA A EDSON LIMA

“Meu amigo, o que aconteceu no Chile?”

Daniel A Rubio

Na segunda-feira, dia 18 de janeiro de 2010, recebi um e-mail de meu amigo Edson Lima. Ele me questionava. “Daniel, o que aconteceu no Chile?”, e me copiava os resultados da eleição para presidente no meu país. “Direita volta ao poder no Chile”, dizia manchete da matéria que me enviou.

“Daniel, o que aconteceu?”

Como explicar para Edson? Pensei até em criar uma história ou inventar uma desculpa, mas ele não acreditaria em qualquer coisa.

Edson é um apaixonado por política. Gestor cultural na área de literatura em São Paulo, é completamente dedicado à paixão aos livros e à cultura. Eu precisava explicar de alguma forma. Foi assim que uma série de imagens me veio à mente.

Embora não viva no Chile há muitos anos, minha mente foi longe.

Reprodução web

Empresas escondiam produtos para sabotar Allende

Lembrei-me de, quando ainda uma criança de doze anos, pegava filas para comprar óleo, açúcar ou arroz para minha família. Claro que não se conseguia comprar tudo no mercado negro, por causa do embargo comercial e da falta de mercadorias – a direita havia retirado os produtos das prateleiras como forma de pressionar Salvador Allende, o primeiro governo socialista eleito (1970) por voto direito e democrático na América Latina.

Segundo a direita – e os EUA -, essa pressão tinha o objetivo de extirpar do continente uma corrente perigosa de esquerda que crescia por aqueles anos.

Depois me lembrei dos aviões, rasantes, que retomavam altitude de voo depois de lançarem bombas sobre o La Moneda, o palácio de governo, naquele fatídico 11 se setembro de 1973. Gente pulava e buzinava nas ruas. E também muita gente triste. Era o começo da ditadura de Augusto Pinochet.

Já de início os direitos civis foram terrivelmente esmagados. As organizações de bases foram reprimidas e praticamente exterminadas. Não havia permissão para reuniões de grupos. Os movimentos comunitários, clubes esportivos ou um simples centro de mães: nada podia se organizar.

Reprodução web

Bombardeio ao La Moneda matou Allende

Num país historicamente católico, extremadamente conservador e socialmente homogêneo, isso tornava a população ainda mais dependente de um poder central. As informações eram filtradas antes de chegarem ao povo, enquanto as decisões da ditadura eram disseminadas como a voz oficial, de modo a nos convencer de que um novo Chile, livre do perigo do comunismo, estava em construção.

E eis que, num passo de mágica, as coisas começaram a funcionar. Poucas semanas depois do golpe as prateleiras dos supermercados estavam novamente repletas de produtos… Tudo parecia voltar ao normal depois do “caos”.

Bom, parecia normal para a massa, mas não para os muitos que eram perseguidos, exilados, torturados ou desaparecidos.

Começava a construção de um “novo” Chile. Em meados dos anos 1970, instaurou-se o regime econômico neoliberal, inspirado em estudos de livre mercado de um grupo de economistas de Chicago (os “Chicago´s boys”). O livre mercado tomava conta do Chile.

Pela primeira vez na minha vida, vejam que ironia, podia sonhar com uma calça jeans da Levis, comprada numa loja de um bairro nobre de Santiago! Antes, isso só era possível se o algum amigo viajasse ao exterior e contrabandeasse os preciosos jeans da Levis.

E esse admirável mundo do consumo se estendeu a vários produtos: óculos, tênis, sapatos, jaquetas de estilo. O curso da moda para os jovens era a publicidade. Muitos se viram influenciados pelo glamour e a criatividade do apaixonante mundo da propaganda. Um desses jovens fui eu.

Eis algumas frases de Miró frases extraídas do curta:

Sou poeta pernambucano, tenho 48 anos, oito livros publicados e nasci no bairro da Encruzilhada. Aí já começou a tragédia: nascer na Encruzilhada”

A poesia me deu a oportunidade de conhecer o País”

“Quando estava na oitava série, uma professora pediu para fazer uma redação. Então disse: ‘Chove um sol lá fora’. Ela falou: ‘Meu filho, como pode chover um sol lá fora?’. E respondi: ‘A senhora já ouviu falar em metáfora?’”

“Tenho um poema que diz: “Jesus não vem: prepara-te”. Porque todo mundo diz ‘Jesus vem’. E se não vier?

poeta_miro

 

Reprodução web

País ficou cindido e gerou manifestações populares

Na minha época de estudante, percebi como a criatividade pode ser uma ferramenta bela e também poderosa. Se por um lado me apaixonei pela precisão da metodologia de aplicação do processo criativo na publicidade, de outro fiquei completamente aterrorizado pelo poder da propaganda e o uso que o mercado fazia dessa ferramenta.

O questionamento ético de sua aplicação inexistia.

E isso me provocava repulsa. O fim era manipular as emoções com um único fim: “vender”. Mas vender o quê? Qualquer coisa, bastava vender.

Executavam-se estratégias para despertar as mais íntimas emoções e desejos, e as emoções eram substituídas por produtos, coisas que as pessoas compravam, compravam… Compravam como se comprassem a felicidade. Compravam emoções.

Os produtos conquistavam corações e mentes, partindo da classe A, que despertava o desejo da classe B, depois da classe C, da D, E. As estratégias de marketing eram planificadas dessa forma. Com perfeição milimétrica.

Reprodução web

Consumo crescia, e tanques tomavam as ruas

 

Como podia uma pessoa agüentar tudo aquilo? As comunidades estavam destruídas, logo elas que, para mim, sempre foram o berço dos valores humanos mais nobres, como a solidariedade. Elas eram o caminho para se trabalhar juntos, aprender juntos, desenvolver a consciência do bem comum. Nada disso existia mais.

Assim se passaram 17 anos da ditadura que implantou o neoliberalismo no Chile, até chegarmos a 1989.

Depois de uma nova constituição no país, a transição para a democracia se iniciava. Mas essa transição foi feita a partir das normas da ditadura. Nesse tempo, tudo, ou boa parte no Chile, estava nas mãos do capital privado. Os primeiros ares da globalização que sopravam mundo afora tinham tomado conta do Chile, onde a política e a economia continuavam atadas.

Esse era o contexto quando um novo governo foi escolhido por votação popular depois dos anos de chumbo.

Tratava-se de um governo de coalizão dos partidos de centro e esquerda, grupo representado por Patricio Alwin. Dali por diante sucederam-se 20 anos de diferentes gestões da chamada “Concertación!”, que tentava desatar o país e acabar com a herança da ditadura por meio de políticas sociais.

Reprodução web

Patricio Alwin, o presidente da redemocratização

 

 

Percebia-se a tentativa de ficar um pouco longe do mercado, mas o mercado tinha tomado conta do Chile. Também nesses 20 anos – os mesmos anos em que a globalização do capital tomou conta do mundo – a “Concertación” não conseguiu sair disso.

Bom, depois dessas reminiscências todas, volto ao meu amigo Edson: “O que aconteceu no Chile domingo passado?”

Edson, você me fez pensar em parte da minha história, em lembranças quase fotográficas me levam a dizer que tudo o que escrevi aqui não tem fundamento histórico algum: é apenas uma reflexão provocada pela sua pergunta e feita a partir dessas “fotografias” que tirei da memória.

“Daniel, o que aconteceu no Chile?”

A verdade, meu amigo, é que não sei…

Tenho mais perguntas que respostas. A “Concertación”, com problemas de gestão, não teria conseguido superar suas próprias diferenças?

Reprodução web

Michelle Bachelet não conseguiu eleger sucessor

 

A coalizão de centro-direita ganhou com 52% dos votos! Coalizão de centro-direita? Não existe direita? Não existe mais esquerda? O que fez 52% dos eleitores optarem por um Berlusconi latino americano? Será que a exposição por 37 anos ao espírito do “mercado” criou grande classe média arrivista, que se quer nos braços da direita?

Quais os valores que uma sociedade em busca do desenvolvimento tem hoje? E que conceito de desenvolvimento pode ter uma sociedade exposta brutalmente ao capitalismo durante os últimos 37 anos, sem que se refletisse sobre esse processo? Eu sou o que compro e tenho? Sou feliz com o que compro e tenho? Não existe direita nem esquerda, todos são progressistas? O que posso responder?

Sei apenas que hoje a direita no Chile, que se autodenomina “centro-direita”, conquistou o poder.

Esta mesma centro-direita que procura se desvincular da era Pinochet sempre teve – e continua a ter – o poder econômico no Chile. Depois da eleição do domingo passado, voltou a ter também o poder político. Coisa muito perigosa…

Sim, Edson, temos que seguir lutando. Mas lutar como, contra quem ou o quê se não existe mais direita ou esquerda e todos são progressistas?

Dias atrás um outro amigo me deixou uma mensagem no Facebook. Ele dizia: “Daniel, estou preparando o meu ‘pasa-montaña’’.

“Pasa-montaña” é um boné que servia para cobrir o rosto dos jovens que faziam barricadas nos bairros populares de Santiago.

Barricadas? Será tempo de barricadas? Será que estou ficando velho? Será que temos que reinventar as formas de luta? Como incentivar os valores humanos em mentes mutiladas pelo mercado?

Perguntas, perguntas…

Mas é bom pensar, né?

“Abrazo”